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Proof of Work vs Proof of Stake: qual o melhor modelo de consenso?[1] 

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por Sabrina Coincidência

Especialista em Criptoativos

Criptoativos
Curiosidades

Proof of Work vs Proof of Stake: qual o melhor modelo de consenso?[1] 

Bitcoin (BTC) é a representação do dinheiro digital totalmente descentralizado. Ao contrário do dinheiro fiduciário que conhecemos, a criptomoeda não precisa de um banco central para existir e muito mesmo de um banco privado para que suas transferências ocorram. Mas tudo isso precisa existir de alguma forma e é para isso que surgiu o consenso na criação do Bitcoin. Esse termo pode parecer complexo, mas é bem mais tranquilo do que você provavelmente está pensando agora. Assim como estamos acostumados no "mundo real", consenso no mercado de criptoativos é um acordo entre várias partes. Ou seja, um mecanismo de consenso existe para que um grupo de pessoas diferentes com objetivos diferentes concordem sobre um fato específico.

Na rede do BTC e demais criptomoedas, um modelo de consenso apresenta métodos projetados para criar igualdade e justiça na rede. É através de um modelo de consenso que a rede das criptomoedas avança, tanto em sua criação como em suas transações. No mercado tradicional, esse consenso está nas mãos dos bancos, cada um com seu servidor de operações, processando os dados e afirmando se você possui ou não dinheiro em sua conta bancária para fazer uma transferência de valor. Ou seja, de um lado temos os bancos, com processos totalmente centralizados e blindados. Já do lado do Bitcoin, um método totalmente descentralizado, transparente e sem a necessidade de uma instituição autoritária.

O que é consenso?

Sei que muitos podem imaginar como é difícil fazer com que um grupo de cinco pessoas, por exemplo, cheguem a um consenso sobre um assunto. Se é dessa forma em um grupo pequeno, imagina em uma rede de milhares de pessoas como é a do Bitcoin? Como é possível que haja consenso no funcionamento do ativo digital? Claro que é importante entender como isso acontece, até porque sem um consenso, nenhuma rede funciona.

Claro que não podemos explicar o consenso sem mencionar o famoso caso dos Generais Bizantinos (Byzantine Generals). Esse caso surgiu em 1982 através dos autores Leslie Lamport, Robert Shostak e Marshall Pease que queriam criar consenso em uma rede distribuída e utilizaram a metáfora medieval para isso.

Um resumo do problema é esse: um grupo de generais do Império Bizantino está atacando uma cidade e cada general comanda um exército bizantino. Além disso, esses generais estão em lados opostos da cidade e só podem se comunicar através de mensageiros. Vemos a idealização de consenso aqui, pois nenhum general pode atacar a cidade sozinho, eles precisam fazer isso juntos. Se um general decidir atacar, os outros deverão fazer o mesmo.

Sem uma comunicação direta isso fica bem difícil, mas o problema não é só esse. Nas equipes dos generais haviam espiões da cidade inimiga que levavam mensagens falsas. Claro que pode ficar pior, pois havia generais traidores no exército que queriam que os generais leais não conseguissem realizar o ataque com sucesso. Mediante a esse cenário, como criar um plano em que todos os generais leais ataquem ao mesmo tempo sem que os traidores e espiões influenciem no plano? Para isso, é necessário que pelo menos dois terços dos generais sejam leais. Se isso não acontecer, apenas um traidor pode acabar com todo o plano.

Era justamente nesse problema que os sistemas que buscavam descentralização se encaixavam[1] . Eles não conseguiram chegar a um acordo totalmente livre de falhas, e esse foi o ponto que Satoshi Nakamoto acertou. Nakamoto criou um sistema muito mais tolerante a falhas que o Bizantino. O modelo de consenso do Bitcoin precisa atingir um objetivo de qualquer forma, por isso é mais eficiente. O mecanismo de consenso do Bitcoin é conhecido como Proof of Work, ou Prova de Trabalho. Contudo, não existe apenas esse modelo, há outras formas de conseguir consenso no mercado como o Proof of Stake e você verá a diferença entre eles agora.

O que é Proof of Work (POW)

Esse modelo de consenso é pioneiro no mercado blockchain porque veio diretamente com o Bitcoin. Apesar de estar na rede da principal criptomoeda, o POW não surgiu através de Satoshi Nakamoto, mas sim foi adaptado por ele. A ideia do Proof of Work nasceu em 1993 com Cynthia Dwork e Moni Naor que publicaram um artigo científico que tinha um foco em medidas de segurança cibernéticas. Cynthia e Moni não impediam ataques. Elas trouxeram uma ferramenta pra medir a "vontade" de quem enviava emails. Quanto maior a vontade, maior o tempo gasto (dinheiro, tempo, processamento). E com isso, você pode filtrar o quão dificil é para você receber um email/spam.

Se eu não te conheço e você deseja me enviar uma mensagem, deve provar que gastou, digamos, dez segundos de tempo de CPU, apenas para mim e apenas para esta mensagem”, disseram Dwork e Naor.

Nakamoto decidiu trazer o POW para o Bitcoin, pois ele é difícil de ser calculado, mas fácil de ser verificável. Assim, uma transação da criptomoeda só ocorre quando os mineradores fazem a prova de trabalho que, no caso do BTC, é oferecer processamento computacional para resolução de cálculos matemáticos. Quando um minerador encontra a resolução do cálculo, a transação só pode ser validada se todos os participantes da rede concluírem que ela está de acordo com os parâmetros do protocolo do Bitcoin. Logo após esse consenso, que é aberto e verificável por todos, novas transações podem ser validadas.

Como o tempo faz com que o processo de consenso do Bitcoin fique mais difícil e precise de mais energia para existir, ele não se mostra tão atraente para muitos. Afinal, estamos caminhando para um mundo mais ecológico. De fato, não tinha como Nakamoto imaginar à proporção que o BTC chegaria e como esse modelo de consenso iria impactar o meio ambiente, mas novas criptomoedas já trouxeram uma solução para isso e ela se chama:

O que é Proof of Stake

Enquanto o Proof of Work necessita de energia computacional para validar seu consenso, o Proof of Stake (PoS) age de forma diferente. Nesse mecanismo de consenso, não há necessidade de mineradores e máquinas especializadas. Mas se não precisa desse trabalho, o que garante o consenso da rede de uma criptomoeda que utiliza o PoS? Fácil. No Proof of Stake você oferece sua própria criptomoeda para o funcionamento da rede. Nele você precisa deixar uma quantidade mínima de moedas guardadas em sua carteira, a quantidade vai depender do criptoativo que você escolher.

Esses fundos guardados não podem ser movidos. Ao deixar suas moedas guardadas, você faz parte da equipe de validadores da transação, ou seja, do consenso da rede. Todos os validadores escolhem a transação para validação e o protocolo da própria cripto decide qual será o bloco validado.

Além do menor gasto de energia nesse modelo de consenso, há também uma diferença em como os validadores são recompensados. No PoW, os mineradores ganham por emprestarem poder computacional para a rede. Já no PoS, os validadores ganham de acordo com as moedas que deixam guardadas na carteira. Sendo assim, quanto mais moedas, maiores serão as recompensas.

Proof of Work e Proof of Stake: qual escolher?

O mercado de criptoativos é atraente por conseguir te proporcionar a possibilidade de escolher o ativo que você quiser operar. Aqui você não precisa escolher entre um e outro se achar a proposta dos dois interessante. Como tudo na vida, existem dois lados da moeda e os dois modelos possuem vantagens e desvantagens.

Vantagens do Proof of Work

●     Maior proteção à rede da criptomoeda;

●     Não importa a quantidade de moedas que você tem em sua carteira;

●     Transações desonestas são totalmente descartadas.

Vantagens do Proof of Stake

●     Menos energia e custo monetário;

●     Não há necessidade de equipamento especial;

●     Evita validadores ruins;

●     Validação mais rápida que o Proof of Work.

Desvantagens do Proof of Work

●     Exige muito poder computacional;

●     Grande gasto energético;

●     Consenso centralizado em grandes mineradoras.

Desvantagens do Proof of Stake

●     Ricos são escolhidos com mais frequência que pessoas que possuem menos moedas;

●     Possibilidade de ataque de gasto duplo.

Entender como a rede de um criptomoeda funciona é um dos passos fundamentais para realizar seus investimentos. É sempre importante investir em um criptoativo sabendo os benefícios e os riscos que sua rede pode possuir. É claro que não vamos terminar esse conteúdo sem te dar alguns exemplos de criptomoedas de cada modelo.

Proof of Work:

Bitcoin, Dogecoin e Litecoin.

Proof of Stake:

Cardano, NEO e Tron.

Fique por dentro do mundo dos criptoativos. Veja aqui "Quais as formas de ganhar renda passiva no mercado blockchain".

Abs, 

Sabrina Coincidências.

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Especialista em Criptoativos

Sabrina começou sua jornada no mercado de criptomoedas em 2016, quando ouviu falar sobre bitcoin pela primeira vez. Contudo, sua caminhada de empreendedorismo com blockchain começou em 2018, ano em que decidiu se dedicar à produção de conteúdo sobre o mercado.

CNPJ 31.630.299/0001-91